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sábado, 25 de junho de 2011

O micróbio da tristeza


         
       O micróbio da tristeza me pegou. Isso que dá não lavar as mãos quando se anda por aí. Eu ando tendo muitas DR´s comigo mesma. Vai ver eu não sou mesmo aquilo que eu sempre quis. Tristeza é o caminho mais fácil e hoje deu vontade de seguir por ele. O menosprezo por mim me revigora às vezes, bom pra lembrar meu ego a ficar quieto. Vou transformar esse nó na garganta em algo útil, pode ser pra segurar um iô-iô, amarrar um tênis rasgado, ou estar nas mãos de um marinheiro. Mais fácil ele ser só mais um lamento... E eu achando que não sabia de nada e duvidando que sabia de tudo, tudo o que não prestava! Eu só pedi uma atenção, fiquei no mudo. Garçom, uma dose de ação nesse drink de marasmo, por favor! Gente que acha que gritando e usando palavras positivas vai conseguir me livrar desse mal, tsc. Eu bem que poderia evaporar em forma de blues...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010



Hoje tive uma briga feia comigo mesma. Tudo porque o lado racional se cansou do emocional e resolveu se impor. Posicionei-me em frente ao espelho, onde pude encarar minha opositora e ler os seus olhos. Ela chorava, tremia feito um bezerro desprotegido. Seus olhos inchados e vermelhos não transmitiam compaixão, e sim, pena. Eu vi aquele ser, que também era eu, e tive ódio de mim. Ou seria dela? Enfim! Tive ódio por ver minha reação tão infantil perante os percalços que me apareciam. Minha primeira reação diante de tudo era chorar, me descabelar, me entregar ao desespero e assumir uma posição de vítima, de sofrida. Como se essa posição fosse resolver todos os meus problemas. Como se a pena e compaixão das pessoas fosse meu alimento. Ah faça-me o favor! Eu cansei de chorar primeiro pra depois pensar. Se lágrimas adiantassem para alguma coisa, eu já teria resolvido todas.
Olhei-a fixamente e gritei que parasse de chorar. Não agüentava mais que ela me fizesse sentir tão mal, por ser tão sensível. Falei firmemente que a partir de agora, quem estava assumindo a posição principal do comando, era eu: o lado racional. Ela tentou voltar a chorar, mas eu a repreendi com um tapa. Ela arregalou os olhos, tentou gritar, mas eu a sufoquei com uma corda em volta do pescoço. Quando ela, e consequentemente eu também, já não conseguíamos respirar, afrouxei o laço e respirei calmamente. Ela sabia agora qual era seu devido lugar: o de coadjuvante. Finalmente havia reconquistado o meu antigo posto. Maldita hora que aqueles olhinhos marejados me fizeram ceder e deixá-la assumir minha personalidade.
Agora com a cabeça refeita e o peito mais leve, posso ser mais eu. Não que eu queira me impor plenamente, pois ser só racional, além de impossível, é maçante. Resta agora saber a dosagem certa de cada uma se manifestar, nenhuma pode se exceder ou se omitir de mais de mim. Temos que procurar um equilíbrio.
Seria agora uma terceira que está falando?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ninho



Meu ninho já não me pertence mais. Na verdade nunca pertenceu e só agora começo a ver que vivia uma vida inventada, uma vida forjada e com experiências alheias da qual julgava serem minhas. Eu vivia pelos outros e me conformava com isso. Talvez por não saber o quanto é bom e doloroso viver para si e o quanto me dedicando a mim, ganho muito mais e me realizo muito mais.
Não dá para tachar de egoísta a quem se doou completamente. Acontece que a gente cansa... A gente cansa de nunca ser reconhecido, compreendido, aceito... A gente cansa de ser pisado, maltratado, mal falado... Ninguém é tão apático ao ponto de aguentar tudo isso durante muito tempo quando se é jovem, e se aguenta, é porque já tá meio morto, apodrecido por dentro, como eu mesma já estava ficando. Nem eu imaginava o quanto seria difícil...
 Não lembro o que foi que me fez despertar pela ânsia por liberdade, talvez aquele velho instinto natural que clama o tempo todo por independência. Acontece que o meu ninho já estava me sufocando, me mutilando, me enlouquecendo. Já não tinha mais novidade e a rotina já estava esquartejando todos os meus sentimentos e sentidos.
Eu precisava voar. Eu tinha asas, elas já estavam crescidas. Mas aqueles que deveriam me incentivar a voar pelos mais belos horizontes eram os que estavam arrancando minhas penas, uma a uma, para que eu não pudesse voar para longe deles.
Acho que percebi a tempo. Ainda estou treinando. Mas quando decidi que era a liberdade o meu complemento, me joguei do ninho. Doeu. Me machuquei, gemi, gritei. E por não ter o costume de ver a liberdade, ela ofuscou meus olhos. Mas agora já consigo enxergar, e o pouco que já posso ver, é a coisa mais bela e pura que já pude presenciar.
Eu me vi! Eu me vi não como quando se olha no espelho. Eu me vi por dentro. Eu conheci uma estranha que morava em mim há tanto tempo e nunca tinha se apresentado e que agora me completava e me preenchia. Ela que era de fato eu. A outra era apenas um fantoche, um acessório...
Estou, aos poucos, me adaptando a minha nova carcaça de sonhos e de ideais. A vida é dura e difícil, mas quando é você mesmo quem pode trilhar seus caminhos e fazer sua própria história esse peso vira autoral e de total responsabilidade sua, por isso, faça jus ao tempo que lhe foi dado. A gente só sente, de fato, o peso da liberdade quando somos privados dela.
Nada é perfeito e aquela quase morta em vida, renasceu!

domingo, 1 de agosto de 2010

O tempo é implacável!


O tempo é implacável! Não há quem ainda não tenha dito isso. A sensação de vê-lo escorrendo pelas horas dos dias, trás igual sentimento a todos. Um leve desespero, um frio nas entranhas, certa insegurança...
As fotos mostram-nos o que já não somos, meros estranhos. Não nos reconhecemos. Sabemos que ali estamos representados, mas não nos sentimos mais. Há uma espécie de dormência...
E aqueles da qual fizeram parte de nossas vidas? Como estarão? Talvez não queiramos de fato saber. Queremos sim imaginar que eles talvez, de vez em quando, pensem em nós.
Há a ausência do tempo perdido, do tempo que não foi vivido, que não soube se realizar. Há o arrependimento da não ação, da demasiada indagação, da falta de credibilidade em si mesmo. Somos tão frágeis, tão passageiros, meros coadjuvantes de um imenso espetáculo. Às vezes somos apenas espectadores sem falas, sem ação, sem diferença... Há sentido? O que há é procura, desespero, dúvidas...
Pelas lágrimas que já gastei, pelos risos que espalhei, pelos abraços e beijos que dei: Tudo vale à pena! Mesmo a vida sendo um grande palco e a tua contribuição pequena!

quinta-feira, 29 de julho de 2010


         Como as certezas são facilmente desmoronadas... 
Pessoas que até pouco tempo atrás, eu mantinha certo respeito e admiração, uma espécie de endeusamento e idealização, descobri que não passam de meros mortais, assim como eu... Se não pior!
Pessoas que eu julgava dominarem a sabedoria, que sabiam tudo o que eu não sabia, fizeram-me enxergar a ignorância de acreditar que alguém pudesse ter nas mãos todos os mistérios do mundo.
Pessoas que eu julgava terem absorvido bem as provações e testes da vida, se tornando maduro e centrado, descobri que era tudo absurdo, que não passavam de uns desregrados.
Pessoas que fazem questão de assumir um papel, usam uma máscara da qual não lhes pertencem, e sim, da qual lhes cabe melhor para agradar o público... Mas na hora que a máscara cai, desfalece os sonhos, a admiração, o respeito. Em lugar, vem o descaso, a descrença, a graça. Não é melhor arriscar ser quem és?  E assim não precisar ser outro para que sejas aceito? Pra que manter esse muro, essa proteção contra qualquer coisa que possa te desmascarar, podendo viver em liberdade sem nada para atormentar?
Muitos preferem o caminho mais longo, a jornada mais difícil... Eu vou procurando os atalhos!
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