quinta-feira, 20 de julho de 2017

Nina



                    Hoje conheci Nina, uma moça linda mas já um pouco abatida pelas duras peças que a vida já tinha lhe pregado. Ela devia ter lá pelos seus 24 anos, não quis ser inconveniente e pergunta-lhe o que não se pergunta para a maioria das mulheres. Estava em um canto da sala do curso de cultivo de flores, acuada, acanhada, não abria a boca, apenas observava. Fazia todos os exercícios com muito empenho, como se estivesse manejando uma joia rara. E de fato, descobri posteriormente, que as flores o eram para ela. Senti-me bastante atraído e curioso por aquela moça acanhada, que sempre desviava o olhar. Porém, quando conseguia fitá-los, era como se ela pudesse ler a minha alma e então quem desviava o olhar era eu. Não que houvesse algo escabroso para ser descoberto em mim. Apenas queria que ela me lesse aos poucos e não de uma só vez.
                Após uma hora de curso e algumas tentativas de aproximação, consegui finalmente conversar com ela. Teríamos que montar em dupla, um jarro com algumas flores ornamentais e apressei-me para ser seu par. Aproximei-me e perguntei se poderia sentar ao seu lado. Ela apenas sorriu sem mostrar os dentes e balançou a cabeça afirmativamente. Apressei-me em dizer meu nome e estender-lhe a mão. Ela apertou-a de volta e não disse nada. Eu então perguntei o seu. E ela respondeu muito rapidamente: - Nina. Nina... Seria seu nome verdadeiro? Seu apelido? Na hora tive ânsia de querer saber tudo sobre ela. Mas até para dizer seu nome ela havia hesitado, então percebi que ela de fato, não era de falar muito. Não insisti.
                O instrutor fez uma breve explicação de como gostaria que fizéssemos o arranjo. E ela sempre muito atenta, anotava cada detalhe em um caderno surrado com desenhos em forma de sol, como quando os pingos caem sobre o papel. Eu apenas a admirava. Terminada a explicação poderíamos então dar início ao arranjo, gostaria de discutir com ela de que forma seria mais conveniente para fazermos juntos. Mas quando me dei conta, ela já havia levantado e pegado algumas flores. Fui em busca de algumas flores também, preferi as tradicionais. Sempre fui apaixonado por tulipas e orquídeas, e eram elas as minhas escolhidas e algumas rosas com tons brancos e rosas. Fomos montando o vaso sem trocar uma palavra sequer. Enquanto ela montava de um lado, eu montava do outro e aquele balé era tão perfeito que não precisávamos trocar palavras. Que experiência enigmática!
                Ao final do exercício, tínhamos um arranjo tradicional e não convencional, mas que ao mesmo tempo ficou extremamente harmônico. Ficamos muito satisfeitos. Ela me olhou e sorriu. Deixamos junto ao dos outros alunos para exposição e pude perceber seus olhos marejados de água. Parecia não querer se despedir dele. Percebi que o seu amor por flores era maior do que imaginava.
                Ao final da aula, ela mal quis se despedir dos colegas e rapidamente pegou suas coisas. Corri atrás dela e perguntei se queria uma carona. Ela, sempre falando muito baixo e de boca quase fechada, disse-me que morava ali perto e que iria a pé. Perguntei se poderia acompanhá-la. Ela mais uma vez apenas sorriu e balançou a cabeça afirmativamente. Fomos andando pela rua e me esforcei para saber um pouco mais daquela moça tão misteriosa. Tentava vários assuntos e ela sempre com respostas monossilábicas. Até que toquei no assunto das flores e rapidamente senti que sua energia mudara. Só então consegui que ela se abrisse mais. Passamos por uma praça e convidei-a a sentar e apreciar o lindo pôr do sol daquele final de tarde. Ela estava um pouco ansiosa, mas aceitou.
                Sentamos e a conversa foi fluindo até o pôr do sol. Percebi que ela derramou uma lágrima. Nesse momento, ela me fitou e disse: - eu não sou normal.
                Eu entendi perfeitamente, afinal de contas, quem consegue ser normal nessa nossa sociedade? Ela balançou a cabeça negativamente e repetiu: - eu não sou normal.
                 Agora eu havia entendido que de fato ela não era normal. Mas o que a tornava anormal? Ela respondeu que era uma pessoa triste, ou melhor dizendo, angustiada. Mesmo quando sua vida caminhava bem, ela sempre sentia que algo lhe faltava e que mudanças físicas aconteciam quando ela entrava nesse estado de espírito. Eu perguntei o que mudava, mas ela se calou.
                Após alguns segundos de silêncio, percebi seus olhos marejados novamente, pareciam querer regar algo nela. Um inebriante e profundo perfume de flor começou a tomar todo o seu corpo. Não resisti e me aproximei mais dela, queria tomar todo aquele odor para mim. Toquei seu rosto, e virei-o em direção ao meu. O perfume só aumentava. Não resisti e beijei-a. Não consigo descrever as sensações que tive por serem inéditas para mim. Quando paramos, olhei-a e ela me fitou com seus olhos doces e tristes. Abriu a boca, colocou os dedos dentro dela e deu-me uma rosa em miniatura. Ela havia tirado uma flor de sua boca! Era de lá que vinha tanto perfume, por isso evitava abri-la.
                Não me assustei, quis saber como aquilo era possível e ela me explicou que aquela era a mudança física que acontecia nela quando entrava no estado de espírito de angústia. Que já tinha tentado se livrar daquilo e que nunca tinha conseguido. Restava-lhe conformar-se e por isso procurou o curso de cultivo de flores para aprender a cuidar das suas. Disse que só teve coragem de me mostrar por que sentia o quanto eu amava as flores e que talvez a compreenderia. Eu fiquei paralisado. Onde havia me metido? Aquilo era coisa de louco!
                Levantei, respirei fundo e deixei-a fitar meus olhos de perto. Não disse nada, só esperei. Ela apertou seus olhos como se quisesse criar um foco perfeito e ficou estática. Eu abracei-a forte. Ela começou a chorar e o perfume das rosas de sua boca foi diminuindo. Aquela lágrima toda estava afogando suas flores. Ficamos assim por tempo indeterminado. Por fim, ela se recompôs e disse: - achei que eu estava sozinha nesse mundo de mágoas e estranhezas, mas pude ver que você cultiva cravos em sua alma.

                Eu peguei na sua mão e disse: nós somos mais comuns do que você imagina. Que tal cuidarmos um ao outro dos nossos jardins? 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Tua voz














A tua voz é porta estandarte
Abre alas com baluarte
Busca tudo o que for arte
Pra se satisfazer

Mega fone, mega potência
Busca perfeição com paciência
Pra em noite de luar
Com harmonia encantar

Tu a possuis, porém não te pertences
Entrega a toda gente
Que tem sede de batuque e alegria
E espalha sorrisos de nostalgia

Rima rica ou rima pobre
Nessas horas não importa
A quem se deve respeitar
Ela só quer cantar...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Rio de lágrimas




        Eu era uma pessoa comum, com uma vida comum igual a tantas outras... Mas um dia dormi chorando e quando acordei estava dentro de uma canoa em um rio de lágrimas. Demorei pra entender toda aquela situação e compreender se eu estava acordada ou ainda dormindo. Começaram a cair pingos salgados no meu rosto e sua textura líquida respondeu minha dúvida: eu não estava sonhando. Mas como havia parado ali? Tentei relembrar todo o caminho anterior a minha chegada aqui, mas só conseguia lembrar que dormi chorando.
        Eu estava presa em uma imensidão, não conseguia ver terra ao meu redor, apenas água salgada. E aqueles pingos que pausadamente caiam do céu, caiam como se fossem bombas ao meu lado. Engraçado, em momento algum tive medo, porque era uma imagem linda de se ver. A cada gota cristalina que parecia cair em câmera lenta, fazia com que eu me acalmasse cada vez mais e conseguisse ver beleza em toda aquela paisagem e situação absurda.
         Mas minha curiosidade foi aumentando e não havia ninguém além de mim que pudesse me dizer onde eu estava. Tive vontade de me jogar na água, de me embrenhar naquele mundo desconhecido e talvez descobrir alguma resposta. Eu também poderia estar engana quanto a estar acordada ou não, e se me jogasse na água poderia, de fato, ter essa certeza. Só que eu não sabia nadar... se fosse sonho eu estava segura, sentiria agonia, falta de ar, mas não morreria. Mas e se não fosse?
          Resolvi ficar na canoa, afinal estava caminhando pra onde o curso das águas de lágrimas me guiava. “Alguma hora vai aparecer algo que faça sentido”. Eu repetia isso como um mantra, talvez com a intenção de me manter calma e sã. Mas nem minhas palavras pareciam fazer mais sentido. Será que estou ficando louca? Que estou delirando? Que estou em coma? As possibilidades começaram a me corroer. Gritei. Não poderia saber quais delas seriam a correta. Parei, respirei e tentei esvaziar minha mente.
          Até que os pingos cessaram e o céu que estava escuro foi se abrindo aos poucos. Tudo começava a clarear. A água salgada e sem movimento, se tornou doce e pude ver peixes brilhantes que pulavam ao redor da canoa. Mas nada daquilo continuava a fazer sentido. Eu devo ter acordado dentro de um livro. Na vida real não é assim que as coisas funcionam.
          E pela primeira vez, senti uma certa liberdade de estar em um lugar sem sentido e de eu não precisar também fazer sentido. Acreditei então que havia criado um lugar só meu, onde eu pudesse ser e fazer o que eu quisesse, nesse mundo eu saberia até nadar. Criei coragem e me joguei no rio. A água tinha a temperatura ideal de um abraço e surpreendentemente eu podia respirar debaixo d´água. E eu me entreguei a esse mundo, não sei se um dia volto. Acho que sempre pertenci a esse lugar e passei muito tempo dormindo e sonhando com mundos diferentes. As lágrimas já não existem, as dúvidas também não. Só a certeza de saber quem sou.



Desenho: Roberta Paredes
Também publicado na revista claraboia nº2: http://revistaclaraboia.blogspot.com/

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Preâmbulo do meu desejo



Com a minúcia de um ritual, beije meus pés
Depois massageie-os
Beije meus joelhos, os dois
Beije minhas coxas interna e externamente

Pule para meu umbigo
Passe a língua ao seu redor suavemente
Não deixe muita saliva
Use seus sentidos - todos
Sinta o odor que cada parte do meu corpo exala

Me vire bruscamente, mas com cuidado
Resvale seu nariz no córrego das minhas costas
Deslize as pontas dos dedos em minhas costelas
Me deixe com bolinhas por todo o corpo

Olhe, cheire, deguste, ouça meus seios
Depois beije um por um que é para não rolar ciúmes
Muita atenção ao pescoço
Ele tem o poder de arrepiar todos os meus pêlos

Beije meu queixo, bochechas e suas covas
Minhas olheiras tão marcadas por te esperar
Meus olhos acostumados de te ver no pensamento
Minha testa como um pedido respeitoso
Para que eu abra minhas portas

Encha suas mãos com os meus cabelos
Memorize o nível de sua maciez
Embriague-se com o seu cheiro

Só então, depois de percorrer meus mundos
Beije meus lábios: o primeiro e os segundos...

domingo, 9 de outubro de 2011

Suavemente aterrissas




Suavemente aterrissas em meu tronco
E o que nos separa é apenas um sopro
O espaço torna-se indefinível
Contrariando as leis da física

Falamos apenas uma língua
Que só nossos corpos entendem
Os terremotos, os vulcões a lava quente
E os beijos que brotam e viram flor

Sei que me ouves mesmo quando calo
Pois teus olhos me interpretam
Quando passeiam por cada curva
E desembocam na carne dura

Tão frágil é a estrutura
Que sustenta tamanha erupção
Mas que sabe como ninguém
Manejar os meus desejos
Brincar com meus segredos

E muito mais do que nossa sina
Sabe bem como tratar-me
Sendo dama ou messalina

Sabe cortejar meus anseios
Fazendo deles tua aventura
Meu menino, eu sou a tua cura

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Não cicatriza



Como um cão sarnento que lambe suas feridas na esperança de que elas sarem
Eu lambo teus caminhos na esperança de que eles nunca se desvencilhem dos meus
E essa ferida é tão profunda e tão enraizada que por mais que eu cuide ela não sara

Mas a vida é mesmo assim, ela faz questão de enfiar o dedo onde mais dói
Que é pra você não esquecer em nenhum momento que está vivo
Que é frágil, passageiro e extremamente volúvel aos seus caprichos

Mas eu não reclamo, a ferida já se tornou minha principal companhia
É ela que me faz despertar quando às vezes quero mergulhar na apatia 
É ela que grita, lateja, arde pedindo por movimento e alguma alegria

E eu faço questão de escondê-la, tapá-la com uma peneira invisível
Faço pontos com linhas de pensamentos, jogo areia e sal do firmamento
Tudo isso em forma de mantra para eu não lembrar do que já havia esquecido...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Canção para acordar






















Não, eu não quero mais ser assim
Lágrimas ditatoriais não mandam mais em mim
Eu vou pegar essa mágoa e transformar em canção
Traçar toda uma bela vida na palma da minha mão
Reabrir aquela fome de criatividade
Para sair dessa vida sem novidades
Porque eu sou inteira arte

Não, eu não vou mais ser assim
Esperando que o raio caia no mesmo jardim
Vou cortar os laços que prendem meus movimentos
Parar de dar trégua para os mesmos argumentos
Surpreender meus sonhos e agarrá-los por trás
Que é para não terem motivos para me largarem mais
Porque eu sou inteira um cais

Não, eu não sou mesmo assim
Daquele tipo tão mesquinho e ruim
Eu vou seguindo nos mesmos compassos
Para não correr o risco de perder o passo
Por fora tão centrada e polida
Por dentro uma louca possuída
Porque eu sou inteira caos sem medida

domingo, 21 de agosto de 2011

Estradas tortuosas













Caminho por estradas tortuosas
Que não me permitem enxergar
Um palmo diante do meu coração


Quando os ventos sopram pra mim
E desembaçam meus sentimentos
As estradas se multiplicam, se ramificam
Tornando minha jornada muito mais perigosa


É quando me transformo completamente em dúvida
Como saber que caminhos percorrer sem errar?
Essa resposta não se dá!


E eu apenas sigo, fecho os olhos
Me guio com minha bússolacoração
Que me faz caminhar por brasas
Bater de testa em caules duros
Cair em buracos que pareciam tão seguros
Errar mais de uma vez no mesmo quesito
Confundir as bolas
Assumir os erros do mundo


Mas eu sigo
Até quando não sei
Talvez até agora
Antes que as palavras se completem
Corra!

domingo, 7 de agosto de 2011

Correria












Pernas em desaforo
Largos passos
Pressa em trocar 
A direita pela esquerda
Correria que tira o fôlego
E as passadas
Cada vez mais rápidas
Não dão tempo
Para que os olhos
Possam ver tanta beleza
Que descansa ao redor
As pernas, elas sim
Ditam o que enxergar
E o foco é sempre à frente
Sempre rumo ao reto
Mesmo que no fim
Não cheguem a nenhum lugar
Mesmo que a pressa
Não tenha por que existir
Mas eles não param
Não param para descansar
Não param para pensar
Por que simplesmente correm
Não vêem que caminham
Mais rapidamente para a morte?

sábado, 23 de julho de 2011

Uma Lágrima














Uma lágrima pousou no meu peito
E foi escorrendo em ordem inversa
Foi subindo pelas paredes da minha carcaça
E cortando como navalha minhas entranhas
Chegou à minha cabeça, rodou, esperneou
Hesitou sair e desceu para garganta
Bolando, bolando até virar um nó
Um nó bem amarrado
Que mal me permitiu respirar
Eu ousei, quis, eu tentei gritar
O nó afrouxou e ela voltou a subir
Parou em frente aos meus olhos
Encarou-me com ar esfíngico
Deu-me uma piscadela
E nem ousou pedir permissão para rolar...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Tu foste o sol



 Tu foste o sol
Que secou minhas roupas
Lavadas pela água da chuva

Tu foste o sol
Que enxugou aquelas lágrimas
Que já se confundiam com o suor

Tu foste o sol
Que me iluminou para enxergar
Minhas bagagens de falsas ilusões

Tu foste o sol
Que me queimou de amor
E me pintou de mágoas

Tu foste o sol
Que me desidratou dos tantos ideais
E me mostrou a beleza da realidade

Tu foste o sol
Que ao me descobrir Lua
Correu e se escondeu
Sem que eu pudesse ser tua

sábado, 2 de julho de 2011

Se eu pudesse



















Se eu pudesse te desnudaria
os medos
as inseguranças
as vestes...

Se eu pudesse te mostraria
minhas meadas
minha morada
minha prece...

Seu eu pudesse te devoraria
a inspiração
a matéria
a calma...

Se eu pudesse te roubaria
do personagem
do uniforme
da rotina...

Se eu pudesse, mas não posso
Seria aquela que merece
Todos seus esforços.

sábado, 25 de junho de 2011

O micróbio da tristeza


         
       O micróbio da tristeza me pegou. Isso que dá não lavar as mãos quando se anda por aí. Eu ando tendo muitas DR´s comigo mesma. Vai ver eu não sou mesmo aquilo que eu sempre quis. Tristeza é o caminho mais fácil e hoje deu vontade de seguir por ele. O menosprezo por mim me revigora às vezes, bom pra lembrar meu ego a ficar quieto. Vou transformar esse nó na garganta em algo útil, pode ser pra segurar um iô-iô, amarrar um tênis rasgado, ou estar nas mãos de um marinheiro. Mais fácil ele ser só mais um lamento... E eu achando que não sabia de nada e duvidando que sabia de tudo, tudo o que não prestava! Eu só pedi uma atenção, fiquei no mudo. Garçom, uma dose de ação nesse drink de marasmo, por favor! Gente que acha que gritando e usando palavras positivas vai conseguir me livrar desse mal, tsc. Eu bem que poderia evaporar em forma de blues...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nitimur in Vetitum



"Lançamo-nos em direção ao Proibido"


De um caminho por vezes escuro
Num caminho onde perdemos as palavras
E em seu lugar encontramos o desejo
Desejo de ficarmos juntos
Desejo de mostrar-mos ao mundo
Que sonhar é permitido

Mesmo em tempos distantes
Onde a ausência nos acompanha
E a lágrima deseja cair
Não me rendo mais ao medo
Pois tua ausência se faz presença
E a utopia entre nós vive e reina

Lançando-me em direção ao proibido
Descobri que meu medo é força
Descobri que na tua boca
Mato a sede que seca meus dias sem ti

Lançando-me ao proibido
Só não permito o ato de proibir
Pois Proibir é proibido
O que nós resta é seguir

Vamos juntos então?

(Ovídio)

domingo, 12 de junho de 2011

Ao Companheiro


















Aquele que me acolhe
Com o tamanho da minha necessidade
Que me escuta com o mais terno dos ouvidos
Que me motiva quando não vejo mais porquês
E que me aceita como sua companhia
Não como propriedade, nem vaidade
Mas com a simplicidade da aceitação
De necessidades mútuas a serem vividas
Agradecer seria estranho, pois o que temos
É tão divino e tão mundano
Que o convencional não se encaixa
Felicidade é cada segundo
Que transformamos o normal em algo surreal
Tiramos os pés do chão
E nos entregamos nessa louca utopia
De vida e de ideais
Companheiro de luta e de vida
A minha mais louca alegria
É poder compartilhar com você
O presente do dia a dia
Planos? Pra quê se somos insanos?
O que importa é agora
Porque a eternidade não dura
E nem demora!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Punhal


















Com um punhal nas mãos e sem saber o que fazer
Sinto dores metafísicas que me incitam à loucura

Como um punhal dilacera meu real
Esquarteja meus sonhos, mata minhas intuições

Não sei por que querer ser tão enigmática
Já que a dor é uma linguagem universal

Esses artifícios, esses meios
Esses modos de me tirar de mim
De me descansar de algo que sou
Como querer o que se tem?
Como se desejar o que se pode ter?

Eis o mistério atual
Que circunscreve perguntas agonizantes
Medo do desconhecido, ânsia por segurança
Buscando saber o que é normal.

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